sábado, 4 de maio de 2013

O frio de ontem e hoje.

Não queria transformar isso aqui em uma novela com título bem próximo de "Páginas da Vida", mas é incrível como algumas coisas se encaixam no nosso cotidiano, seja ele o nosso presente ou o passado de pessoas próximas a nós.

Estamos no outono, já perceberam? Aquela estação que faz um clima maluco de tarde e aquela friaca a noite. E, com tudo isso, vem aquela velha-nova história de campanhas sobre o frio e as pessoas que PASSAM esse frio, na pele mesmo, não vendo pelo TV.

Hoje eu vi, pela enésima vez, uma campanha no canal aberto. "Esquente o corpo e o coração de alguém", eu acho que era algo por aí. Resolvi prestar BEM atenção no que eles estavam querendo passar e não pude deixar de perceber um certo desconforto pela parte de minha mãe.

Minha mãe: Pra quem não sabe ela é uma figuraça! Pra quem sabe, imaginem tudo! haha

Voltando. Ela ficou bem desconfortável com tudo aquilo passando na TV. Casas sem forros, sem portas e janelas. Independente daquela apelação própria dos meios de comunicação, todos nós sabemos que tudo aquilo ali existe, e de pencas.

Vendo as imagens ela se lembrou da vida dela quando criança. Até comentou que aquela família da TV era bem mais rica que a dela, nos anos 60. Mas eu sabia que tinha algo pior, ou talvez que constrangesse mais no meio daquele pensamento todo.

Descobri que a família da minha mãe foi uma das famílias ajudadas pelos jornais e escolas, naquela época, por campanhas de comidas e agasalhos. E pude sentir, porque sou bem parecida, uma vergonha, NÃO POR RECEBER AJUDA, mas uma certa tristeza naquela vida que tinham. 5 filhos e um pai recebendo comidas e roupas. Imaginem a família de vocês hoje em dia. O que passaria pela sua cabeça?

Foi então que eu percebi que por mais quente e segura que esteja, a realidade triste e sofrida de muita gente do lado de fora da minha porta não está tão longe assim.

A reportagem da TV começou mostrando os primeiros trechos dos direitos humanos, e é triste lembrar que pouca gente SABE ou SEGUE isso. Fechando os olhos por ter certeza que não faz parte da nossa rotina.
Mas talvez faça, e muito próximo ainda.

Sensibilize-se quando puder. Não custa muito pensar no outro.
E, também, não custa nada tirar aquele agasalho ou cobertor que você não usa mais para dar à alguém que só tem a pele fina pra se proteger.

Particularmente, não gosto do frio, nasci no verão, lembram? Mas pra quem gosta, gosta por quê? "Dormir nas cobertas, banho quente, pessoas saem mais elegantes!"?

Experimente gostar do frio quando não existir mais "calor" pra você.






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