sexta-feira, 17 de maio de 2013

"Dizer i n s i s t e n t e m e n t e..."

Estava pensando. 
O que é muito comum de minha parte. Pensar, pensar e pensar. Um exercício bom até, talvez meio fora de moda nos dias de hoje, mas com inegável valor espiritual.

Estava pensando sobre as palavras. 
Estava pensando como letras, quando juntas, trazem vários tipos de valor. Um valor sentimental, uma atitude descrita em papel ou as falas escritas pelos ares. 
É incrível como essas palavras dependem de uma contraparte. Depende de quem lê, ouve. Depende de quem escreve, fala. 
Como algo tão mágico e cheio de significados pode ser motivo de tristeza? E é. Tristezas grandes.

Estava pensando sobre greve. Que merda, né? Mas me peguei pensando sobre isso.
Estava pensando como as palavras são as protagonistas de situações como esta.
Você acha, ou na maioria das vezes acha, que é só dizer alguma frase fora de contexto que BUM. 
Mentira. 
Frase é frase, o que você quer falar é o que você quer falar, mas a contraparte não estava tão bem assim para te ouvir naquele momento. Nada foi do jeito que você estava falando. E é triste.

Estava pensando sobre o amor. O que é amor pra você?
Em um dos meus livros preferidos o amor é descrito como altamente doloroso, e é pra ser evitado se possível. 
Eu já acho o amor tão lindamente traiçoeiro, mas, também, não consegue lidar com essas coisas que envolvem palavras. Talvez o amor só ouve batimentos, quem sabe se a gente bater ele não vá entender! 
BATER AS PALAVRAS! 
Mas de nada adianta se a contraparte não tá afim de te ouvir. E é mais triste ainda.


Para que todos os valores sejam finalmente passados, do jeitinho que era pra ser, não depende só de você.
Para que todas as emoções sejam sentidas, do jeitinho que você queria que fossem, não depende só de você.

Assim como o silêncio, as palavras também são um texto bem fácil de ser lido errado.
De nada adianta o melhor discurso se não tem ninguém pra te ouvir.
De nada adianta as melhores pessoas se suas palavras não valem o seu interior.

Deem seus ouvidos, a pele, o coração e tudo o mais que precise para que a mensagem seja passada como realmente é, como realmente precisa ser. 
As boas palavras não merecem acabar com tristeza, mas sim "mais felizes ainda".


_____________________________

"Mas de lá de dentro do fundo da treva do chão da cova
Eu ouvia a vozinha da Virgem Maria
Dizer que fazia sol lá fora
Dizer i n s i s t e n t e m e n t e
Que fazia sol lá fora."

Manuel Bandeira


terça-feira, 7 de maio de 2013

O velho novo.


Nem todas as pessoas se conhecem quando se encontram, algumas simplesmente se encontram. Digo isso depois de uma longa reflexão, leituras de textos antigos e também por algumas amizades estabelecidas ao longo dos anos. Claro que há quem não se conheça, nem se encontre, apenas se esbarre e nada mais; cada situação depende da disposição das pessoas pra acontecer ou não. Mas como eu ia dizendo, as vezes nós nos reconhecemos amigos, é bem difícil, mas tão gostoso quanto chocolate quento no frio ou coisas assim, que parecem bobas, mas causam efeitos surpreendentes!

A amizade por si só é uma dádiva, mas descobrir numa outra pessoa uma sintonia peculiar que te permite só com o olhar saber o que está acontecendo ou se fazer entender, é raro. Rir da mesma coisa sem dizer nada ou concordar sem nem virar o rosto um para o outro, isso sim é raspadinha premiada. Não dá para combinar também nos times, aí já é demais. Clássico de morte acaba se tornando Palmeiras X Santos e um dos dois sagrados clubes com qualquer outro time do mundo te faz vestir a camisa, aprender o hino, chorar as pitangas...

O silêncio do outro às vezes é a bronca que precisamos, aquela mão na beira da estrada é o que nos mantém na caminhada, a parceria do brigadeiro logo depois de uma decepção amorosa é revigorante. E sempre tem aquele amigo carinhoso que solta um "se liga, idiota!", só para te tirar da inércia e é um tratamento de efeito! Tudo gira em torno de um respeito, que mesmo desrespeitoso, acata a postura amiga com as opiniões, pedidos, mandos e desmandos que a outra pessoa traz, sempre na intenção de que você esteja bem.

Nas minhas amizades as experiências de leituras estão sempre muito presentes, as caricaturais também, mas essas não são tão derramadas como as inumeráveis cartas, textos, bilhetes e o que mais possa haver com palavras e frases cheias de um sentimentalismo que vai passar, para quem escreveu e para quem leu. Caminho natural das coisas, mas compartilhada no momento necessário e compreendida também.

Poxa, foram tantas voltas pra dizer sobre uma observação simples, que encontrei uma amiga justo quando não esperava, nos reconhecemos e aqui estamos compartilhando um espaço no mesmo blog! Outras pessoas também foram encontradas, reconhecidas e estão retratadas aqui, mas perceber que com dias de amizade nos conhecíamos tanto quanto hoje, quatro anos depois, é quase assustador. Sei que tenho amigos reconhecidos espalhados por várias cidades, o que não significa que são muitos, é que são espalhados mesmo e que fazem toda diferença, então repare sempre no caminho, pode ser que passe por um velho novo amigo e é sempre interessante estar atento, nunca se sabe.



Esse texto é da minha amada amiga Natielly Weimag, 07/05/2013.


domingo, 5 de maio de 2013

Mal jeito não vê endereço.

Quando dei por mim, estava em uma cadeira de rodas.

Foi assim que começou-terminando uma saga meio traumática.

Sempre me orgulhei do fato de ser mega sedentária. Mas daquelas grandes ainda, comendo no sofá, andando, deitando, dormindo, acordando e comendo.

Só que o stress chega, né? Pra todo mundo. Tudo bem que hoje em dia tem uma galera de 11 anos que não sabe o que está fazendo no mundo, e isso sim me assusta... Mas, voltando, o stress chegou e veio arrebentando tudo em mim. Conclusão: quem sabe fazer um esporte mais conhecido? Aquele que eu fazia quando tinha uns, sei lá, 3 anos de idade?

Daí lá foi eu. Em um mundo ROSA e CHEIO de babados, phyneza e disciplina. Falando assim e analisando friamente já não tem nada a ver comigo, mas custou a tentativa.

BALLET. Sim, aquele clássico, das meias e sapatilhas. Sim, aquele.

Árduos meses treinando, suando, suando, doendo, doendo, suando, rindo, pernão e conhecendo pessoas ótimas e dando o melhor de mim foi o resumo dessa empreitada. Uma bela e saudável fuga desse mundo paradão e cinza.

Bem, chegou um dia que o corpo não estava bem em responder aos meus comandos e ele não foi, mesmo eu forçando ele ir.

Resultado: distensão muscular em muitos lugares da minha perna direita.
Resultado 2: o médico disse que eu não poderia mais dançar. "Não, não, sem danças, repouso total".

Confesso que desejei aquele mundo "sedentário 100%" de volta, mas, ao mesmo tempo, desejei toda a força que ainda restava na minha perna direita, em conjunto com a esquerda, para que todo esse pesadelo passasse logo!! Nunca senti um desconforto e uma "pena" por todos aqueles que são REALMENTE atletas, não de esquina, como eu, mas que fazem do esporte uma luta real, uma vida vivida ali, do ladinho e todos os dias.

Se passou eu não sei. Se dói, bom... Se não estou pronta, quem sabe...

Depois que eu dançar sexta eu venho aqui e tento responder, prometo!





sábado, 4 de maio de 2013

O frio de ontem e hoje.

Não queria transformar isso aqui em uma novela com título bem próximo de "Páginas da Vida", mas é incrível como algumas coisas se encaixam no nosso cotidiano, seja ele o nosso presente ou o passado de pessoas próximas a nós.

Estamos no outono, já perceberam? Aquela estação que faz um clima maluco de tarde e aquela friaca a noite. E, com tudo isso, vem aquela velha-nova história de campanhas sobre o frio e as pessoas que PASSAM esse frio, na pele mesmo, não vendo pelo TV.

Hoje eu vi, pela enésima vez, uma campanha no canal aberto. "Esquente o corpo e o coração de alguém", eu acho que era algo por aí. Resolvi prestar BEM atenção no que eles estavam querendo passar e não pude deixar de perceber um certo desconforto pela parte de minha mãe.

Minha mãe: Pra quem não sabe ela é uma figuraça! Pra quem sabe, imaginem tudo! haha

Voltando. Ela ficou bem desconfortável com tudo aquilo passando na TV. Casas sem forros, sem portas e janelas. Independente daquela apelação própria dos meios de comunicação, todos nós sabemos que tudo aquilo ali existe, e de pencas.

Vendo as imagens ela se lembrou da vida dela quando criança. Até comentou que aquela família da TV era bem mais rica que a dela, nos anos 60. Mas eu sabia que tinha algo pior, ou talvez que constrangesse mais no meio daquele pensamento todo.

Descobri que a família da minha mãe foi uma das famílias ajudadas pelos jornais e escolas, naquela época, por campanhas de comidas e agasalhos. E pude sentir, porque sou bem parecida, uma vergonha, NÃO POR RECEBER AJUDA, mas uma certa tristeza naquela vida que tinham. 5 filhos e um pai recebendo comidas e roupas. Imaginem a família de vocês hoje em dia. O que passaria pela sua cabeça?

Foi então que eu percebi que por mais quente e segura que esteja, a realidade triste e sofrida de muita gente do lado de fora da minha porta não está tão longe assim.

A reportagem da TV começou mostrando os primeiros trechos dos direitos humanos, e é triste lembrar que pouca gente SABE ou SEGUE isso. Fechando os olhos por ter certeza que não faz parte da nossa rotina.
Mas talvez faça, e muito próximo ainda.

Sensibilize-se quando puder. Não custa muito pensar no outro.
E, também, não custa nada tirar aquele agasalho ou cobertor que você não usa mais para dar à alguém que só tem a pele fina pra se proteger.

Particularmente, não gosto do frio, nasci no verão, lembram? Mas pra quem gosta, gosta por quê? "Dormir nas cobertas, banho quente, pessoas saem mais elegantes!"?

Experimente gostar do frio quando não existir mais "calor" pra você.






sexta-feira, 3 de maio de 2013

Fruto do verão...

Não, não tem nada a ver com saúde ou com os alimentos da estação!

A "geração Coca-Cola" resolveu abrir uma porta pra ver se alguma janela se manifesta. Tudo é possível, não é?
Talvez muita coisa não preste, e se prestar, pouca coisa será deixada para trás.
O que será o limite de algo que não tem limites?

Confie no que quiser!! Mas desconfie confiando em alguém que nasceu no meio do verão...