O que é muito comum de minha parte. Pensar, pensar e pensar. Um exercício bom até, talvez meio fora de moda nos dias de hoje, mas com inegável valor espiritual.
Estava pensando sobre as palavras.
Estava pensando como letras, quando juntas, trazem vários tipos de valor. Um valor sentimental, uma atitude descrita em papel ou as falas escritas pelos ares.
É incrível como essas palavras dependem de uma contraparte. Depende de quem lê, ouve. Depende de quem escreve, fala.
Como algo tão mágico e cheio de significados pode ser motivo de tristeza? E é. Tristezas grandes.
Estava pensando sobre greve. Que merda, né? Mas me peguei pensando sobre isso.
Estava pensando como as palavras são as protagonistas de situações como esta.
Você acha, ou na maioria das vezes acha, que é só dizer alguma frase fora de contexto que BUM.
Mentira.
Frase é frase, o que você quer falar é o que você quer falar, mas a contraparte não estava tão bem assim para te ouvir naquele momento. Nada foi do jeito que você estava falando. E é triste.
Estava pensando sobre o amor. O que é amor pra você?
Em um dos meus livros preferidos o amor é descrito como altamente doloroso, e é pra ser evitado se possível.
Eu já acho o amor tão lindamente traiçoeiro, mas, também, não consegue lidar com essas coisas que envolvem palavras. Talvez o amor só ouve batimentos, quem sabe se a gente bater ele não vá entender!
BATER AS PALAVRAS!
Mas de nada adianta se a contraparte não tá afim de te ouvir. E é mais triste ainda.
Para que todos os valores sejam finalmente passados, do jeitinho que era pra ser, não depende só de você.
Para que todas as emoções sejam sentidas, do jeitinho que você queria que fossem, não depende só de você.
Assim como o silêncio, as palavras também são um texto bem fácil de ser lido errado.
De nada adianta o melhor discurso se não tem ninguém pra te ouvir.
De nada adianta as melhores pessoas se suas palavras não valem o seu interior.
Deem seus ouvidos, a pele, o coração e tudo o mais que precise para que a mensagem seja passada como realmente é, como realmente precisa ser.
As boas palavras não merecem acabar com tristeza, mas sim "mais felizes ainda".
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"Mas de lá de dentro do fundo da treva do chão da cova
Eu ouvia a vozinha da Virgem Maria
Dizer que fazia sol lá fora
Dizer i n s i s t e n t e m e n t e
Que fazia sol lá fora."
Manuel Bandeira