Não sei porque, mas me bateu um vento do norte aqui nos meus pensamentos.
Consegui parar pra pensar e tentar entender cada coisa estranha que eu já fiz até hoje. Hoje no sentido de uma Marcela levemente mais nova.
Cada som, movimento. Cada choro, riso ou melancolia. Cada bobagem, verdade, inverdade... Cada inclusão.
Tentei colocar em uma balança imaginária tudo em seu devido lugar. As coisas com sentido, sejam elas boas ou não boas, e as coisas que não tinham razão, sejam elas sensacionais ou irreais.
Descobri algumas coisas. Claro que análise mesmo não deu, não sou muito acadêmica. Mas sou humana o suficiente para aceitar os resultados que deram errado e os que foram piores ainda.
69% dos meus pensamentos se resumiram em burradas. Sim, qualquer uma delas.
Devoção eterna para com o outro, aquela coisa que não se deve fazer. Choros intensos por situações que não precisavam nem de piscar de olhos. Um sofrimento tão desnecessário que não preenche nem barriga de faminto. O que, por clichê, se resumiam em frases antológicas e sem significado algum.
Tenho uma certa dúvida que beira uma outra porcentagem paralela se valeu tudo a pena. Não sei. Talvez. Se for pensar que precisou de tudo isso pra eu poder perceber como fui uma pessoa BEM acéfala, daí tudo bem, foi um porre. Ou quem sabe pra perceber que nem do imaginário vive o homem, a mulher então, coitada.
20% ganhou o Oscar de melhores dramas. Nossa, por quê?
Nem era tudo aquilo. Não mesmo. Não ia dar em nada, e quando deu, grande coisa.
A gente disponibiliza mais cérebro pra alimentar aquela dramatização do que lembrar que não vale nenhuma pena.
10% vai para a segunda chance.
Eu sou super a favor de uma segunda chance. Eu mesmo precisei. Acontece.
Insistir em algo já é mais complicado. A pessoa da primeira chance não é mais a da segunda. Foi modificada pela tal. Fatores externos são nossas chances diárias que nos moldam e nos mudam.
1% é da ação. Parabéns.
Só basta isso para a ruína se completar.
Isso tudo antes era irreal e extremamente sensacional.
Isso agora me causa uma leve irritação.
Eu perdi vivência ou ganhei experiência?
Eu deixei a felicidade vir mais tarde ou esperei o tempo certinho?
Eu sabia o que eu não deveria fazer ou eu fiz o que eu não sabia?
Eu dei adoração demais.
A pergunta que não quer me calar: será que eu me arrependo de tanta coisa que não precisava sentir ou fazer?
Eu me arrependo de mendigar os sentimentos?
Eu mesma respondo. Me arrependo de não ter pintado meu cabelo de azul e mandando tudo se f*****
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"Por que há muito eu erro a receita do equilíbrio
Uso a parte que não deveria na hora em que não poderia
Me confundo com as metades que brigam dentro de mim [...]"
Caio Fernando Abreu
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